quinta-feira, 22 de outubro de 2015

DEIXA!



Deixa! Tudo já foi dito!...
O que se pensou já foi feito...
Eu aqui em meu leito,
Farto dos feitos dos outros...
Espero esta luz que me vem
de tempos em tempos brilhar.
Ali! Ali está o que eu vejo
Com olhos soberbos e gordos.
Aí já vem o espanto
de frases tão sós, sem encanto.
Deixa pra lá!
Que me vejam nu, sem beleza,
Sentado à mesa, fluindo o prazer de comer.
Eu, glutão sem pecados, pois que as mesas são deles.
Meu não é nada, ou sou eu o dono de mim,
Mas o escravo de alguém, invisível, ou difícil de ver.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

SILÊNCIO...

O silêncio é como a água de um pequeno copo.
Não se move e está ali sem estar.
O silêncio parece não ter porque estar,
e está em todo lugar da vida minha.

Ah, silêncio que me toma e me faz cair,
cair em sono de criança, sem culpa nem pensar.
Só estou aqui sem pecar,
sem chorar por vingança frustrada.

Silêncio que odeio se me mostra quem não quero.
Silêncio que rodeio, com medo de entrar.
Silêncio espelho de minh'alma,
que me fala o que não cala da verdade que eu sou.

Fico à espera do silêncio,
já proscrito das ruas, como o pobre sem nome.
Fico à janela dos dias.
Namoro em silêncio o silêncio que me cala.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

IDEIA DIFUSA

Da conversa de tantos anos passados,
das palavras há tantos anos perdidas,
de pedaços há tantos e tantos atados
à vida passada de vindas e idas.

Da conversa do ouvido de alguém
que deságua na vida brotada
de sonhos de não ser ninguém,
dos olhos da história calada.

Do omisso sussurro, silêncio,
quietude obscura, revolta
qual mar da loucura, prenúncio,
anúncio do dia da volta.

Da conversa da porta entreaberta,
do incesto promíscuo da mente,
da beleza da pura e incerta
menina, entre outras, que sente.

Esvai-se em palavras difusas
a bruma da quieta manhã.
E estamos sem nunca chegarmos
em colóquios de vida pagã.

sábado, 17 de dezembro de 2011

MUNDO MEU

Ah, mundo,
se tu soubesses o quanto eu andei,
o quanto esperei de ti um quinhão de certeza.
Virei a mesa, cantei na praça.
Acreditei...

Mundo meu, que partiste de mim,
deixando-me à margem dos porquês.
Mundo em vão, que te viste sem mim,
levando-me à beira do caos.

De amores vivi e me dei sem olhar
que a vida se dá só a quem se esquece
de um dia deixar o outro existir.

Egoísmo, por fim, que palavra tão má.
Realismo, de fato, que veio de lá,
lá da vila aquietada, onde a vida acontece.

E o que vai se dizer se o "dizer" já não diz,
não explica tais fatos, mentiras humanas,
verdades do que somos.

Mundo meu, que criei.
És real só pra mim.
És mentira, enfim, mas és meu.
És tolice de puros como eu.

Ah, como posso não ser tão modesto?...
Como creio que o mundo detesto
se este, em si, não é mais do que eu vejo?
Já não sei se é real ou se é fruto de um mal,
do mal de não ver, de não ser nem poder
inverter o equívoco de um pedaço de sombra
sem luz.

01h29

sábado, 29 de outubro de 2011

HOPE

I am sure that I will find someone
who looks at me with lovely eyes.

And he will take my hand,
help me understand
that love is all that counts.

He will hold me tight
and say how much he missed me.
And when we meet,
everything will turn out to be alright.

I am sure that I will meet my other soul
when nothing seems to make me sure
that others care for others.

Then, I will trust again,
and turn the tides that blur my faith;
sort out my doubts,
become a whole man. 22h42

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

NEGLIGÊNCIA

Ele, um dia, por fim, sorriu.
Viu que o mundo se abriu.
Um feixe de luz que se fez
em um mar de incerteza, talvez...

Ele, então, bateu asas de penas,
fracas, tão fracas, as penas.
Um lance de estrelas do céu
o levou para longe do fel.

Ele criou uns jeitos de crer,
de fazer com a vida o que quer.
Foi adiante, vigor de varão.
Foi aonde, sem ouro na mão?

Um sujeito de história diversa,
sem porta, sem dor, sem conversa.
Um mal feito, um qualquer sem beiral,
ele é fato e fruto do mal.

Ele, um laço, um campo aberto.
Uma nódoa sem causa, de certo.
Foi avante na busca de fé;
quebrou ossos, andando de ré.

É. Ele é ele numa vida qualquer,
num pedaço da rua da sede.
Nem portão, nem a cama sequer.
Ele ergue o corpo da rede.

Invisível aos olhos do réu.
Não recebe seu favo de mel.
Olha de canto a moça do véu.
É migalha das migalhas ao léu.

"Poema para lembrar o mundo dos frutos de sua negligência social"
01h22

sábado, 1 de outubro de 2011

POEMA DE PASQUIM

Eu, o homem só da fantasia.
Eu, o trovador de mão vazia.
Tu, que vais ao longe, maresia.
Nós nos entendemos, poesia.

Ah, dias que sonhei, parte de mim.
Velas desacesas. Não existe fim.
E eu aqui. Nós ali. Entre nós, um querubim.
Entre vasos vazios de flores, pedaço de um pasquim.

Notícia de você do outro lado da vida.
Vagando vagabundo, faminto de ida.
Eu, o homem só da fantasia.
O trovador de mão vazia...