Ele, um dia, por fim, sorriu.
Viu que o mundo se abriu.
Um feixe de luz que se fez
em um mar de incerteza, talvez...
Ele, então, bateu asas de penas,
fracas, tão fracas, as penas.
Um lance de estrelas do céu
o levou para longe do fel.
Ele criou uns jeitos de crer,
de fazer com a vida o que quer.
Foi adiante, vigor de varão.
Foi aonde, sem ouro na mão?
Um sujeito de história diversa,
sem porta, sem dor, sem conversa.
Um mal feito, um qualquer sem beiral,
ele é fato e fruto do mal.
Ele, um laço, um campo aberto.
Uma nódoa sem causa, de certo.
Foi avante na busca de fé;
quebrou ossos, andando de ré.
É. Ele é ele numa vida qualquer,
num pedaço da rua da sede.
Nem portão, nem a cama sequer.
Ele ergue o corpo da rede.
Invisível aos olhos do réu.
Não recebe seu favo de mel.
Olha de canto a moça do véu.
É migalha das migalhas ao léu.
"Poema para lembrar o mundo dos frutos de sua negligência social"
01h22
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