Por conta de algo que não vejo,
tateio em escuros medos de desejo;
vagueio insone por um mundo alheio,
sinto fome de querer esteio.
Por conta de olhos que não veem,
sigo estranho sem entranhas pra sentir;
movo o dorso de um corpo a despertar,
sem valores que o possam acusar.
Por fazer de tanta história já não minha,
um pedaço de verdade "perde a linha"
e arrebenta de brilhar, não se definha;
alimenta-se do púbere e caminha.
Vim na vaga de um sonho de alegria,
que me via sem tocar em meus porquês.
Por conta de um olho que não via,
vi mal vista a amplidão da minha via.
Este blog tem como objetivo a expressão do que sou por meio de meus poemas e de minhas reflexões como artista e psicólogo. Espero que as palavras de meus textos colaborem para o aprimoramento irrequieto e contínuo de todos nós, e que avancem para além deste espaço virtual.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
TIME FOR A LUCID THOUGHT
There comes a time
When crying seems meaningless.
Grief turns out to be just a part of fate.
If such fate is true,
bliss becomes no more than moments.
Moments through which we learn to smile.
Laughing turns into a magic power.
I should say I'm happy.
But... I reached a point in life
that makes it hard to think I am.
Happiness flows in and out
like blood that streams within.
Sadness flows alike.
That makes me alive.
Neither happy nor sad.
Alive!
Then, as time goes by,
A tear and a smile both seem
much the same, once lucidity
is the tool that helps me feel them.
Then, I have found out that
being well is being lucid.
For beginners in life:
Welcome to the world
where joy and grief are two
inevitable paths we trail.
Like nature, we have no balance.
As creatures, we can derail.
When crying seems meaningless.
Grief turns out to be just a part of fate.
If such fate is true,
bliss becomes no more than moments.
Moments through which we learn to smile.
Laughing turns into a magic power.
I should say I'm happy.
But... I reached a point in life
that makes it hard to think I am.
Happiness flows in and out
like blood that streams within.
Sadness flows alike.
That makes me alive.
Neither happy nor sad.
Alive!
Then, as time goes by,
A tear and a smile both seem
much the same, once lucidity
is the tool that helps me feel them.
Then, I have found out that
being well is being lucid.
For beginners in life:
Welcome to the world
where joy and grief are two
inevitable paths we trail.
Like nature, we have no balance.
As creatures, we can derail.
domingo, 29 de maio de 2011
OUÇA-ME!
Tente-me a não estar em um só lugar desta vez.
Faça-me deixar pra lá um mundo no qual não deixo de pensar.
Esteja onde estive e me diga que não foi em vão.
Tente-me a não chorar mais pelo que você fez.
Vire-me e deixe-me ao léu até que eu me aqueça de novo.
Torne-me alguém sem manchas de passado a frio.
Deixe-me estar na sala onde estive irrequieto um dia.
Valha-me, proteja-me, como se nunca fora abandonado.
Conte os segundos da ausência do silêncio
e conforte-me assim que eu chegar do mar revolto.
Fique onde está, estando, assim, onde eu quis.
Não faça nada das coisas que eu fiz.
Chegue de perto, sem soar o sino.
Cerque-me de luz, dando a mim o meu presente.
Venha inquieto por membranas microscópicas.
Toque-me de um jeito que, sem jeito, eu vou gostar.
Vá para além do mistério do ocaso.
Dê do que tem sem jamais querer tomar.
E faça mágica que brilha no olhar.
Coisa fácil de lembrar.
Faça-me deixar pra lá um mundo no qual não deixo de pensar.
Esteja onde estive e me diga que não foi em vão.
Tente-me a não chorar mais pelo que você fez.
Vire-me e deixe-me ao léu até que eu me aqueça de novo.
Torne-me alguém sem manchas de passado a frio.
Deixe-me estar na sala onde estive irrequieto um dia.
Valha-me, proteja-me, como se nunca fora abandonado.
Conte os segundos da ausência do silêncio
e conforte-me assim que eu chegar do mar revolto.
Fique onde está, estando, assim, onde eu quis.
Não faça nada das coisas que eu fiz.
Chegue de perto, sem soar o sino.
Cerque-me de luz, dando a mim o meu presente.
Venha inquieto por membranas microscópicas.
Toque-me de um jeito que, sem jeito, eu vou gostar.
Vá para além do mistério do ocaso.
Dê do que tem sem jamais querer tomar.
E faça mágica que brilha no olhar.
Coisa fácil de lembrar.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
MOVING FORWARD
Shut, my soul!
Shut for all you see around you!
Shut for silence with nonsense,
for noises with rumours of lies,
for blessings with heartless devices!
Shut for all upcoming blossoms,
for dreams that bloom in my mind.
Shut for awkward sensations
of long forgotten cries!
Spare me some time on a day
when, alone, I'm forbidden to stay.
Give out petals of hope
which encounter the very soul
of lone prayers for mercy to come upon us.
Open this tiny heart of mine,
in shambles for years of hush,
entangled by miserable oaths;
nonetheless, still moving forward,
dazzling weak minds,
whose deeds do not gleam,
whose paths disappear in
sandy tracks of empty meanings.
Light up a way
where life is fulfilled
with sound, solid thrills
of joy and renewal.
Spare me some time
to recover from grief,
and remain relentlessly
eager to cherish the finest
demeanour, the noblest feats.
Shut for all you see around you!
Shut for silence with nonsense,
for noises with rumours of lies,
for blessings with heartless devices!
Shut for all upcoming blossoms,
for dreams that bloom in my mind.
Shut for awkward sensations
of long forgotten cries!
Spare me some time on a day
when, alone, I'm forbidden to stay.
Give out petals of hope
which encounter the very soul
of lone prayers for mercy to come upon us.
Open this tiny heart of mine,
in shambles for years of hush,
entangled by miserable oaths;
nonetheless, still moving forward,
dazzling weak minds,
whose deeds do not gleam,
whose paths disappear in
sandy tracks of empty meanings.
Light up a way
where life is fulfilled
with sound, solid thrills
of joy and renewal.
Spare me some time
to recover from grief,
and remain relentlessly
eager to cherish the finest
demeanour, the noblest feats.
terça-feira, 3 de maio de 2011
SENTIDOS SURDOS
Se eu tivesse um único sentido
e deste não viesse nada,
a não ser a sombra do que está aqui, agora,
estaria eu em algum lugar onde não percebo,
em algum rincão sem luzes,
que me faz perceber que o real
são toques de seda,
fugaz como o canto de um pássaro,
sem belezas ou declínios
de uma alma inconstante,
de beleza inigualável,
porém não perceptível.
Se um único desejo se fizesse perceber
em um mar de imprevisíveis
sentimentos e emoções,
estaria eu então à deriva de um sentido,
recolhendo dores surdas,
sem que nunca se dissesse
do prazer de ser quem sou.
Desabrocha, então, a vida
de um triste peregrino,
sem constantes morticínios,
sem estrelas nem perigos,
aos quais deva enfrentar,
sob a luz da primavera,
sob o frio solitário,
com os pés já calejados
de uma busca interminável
por sentido a sentir,
revelado, assim, a si,
desvelado sem saber
o que vai acontecer,
o que quer em si nascer.
e deste não viesse nada,
a não ser a sombra do que está aqui, agora,
estaria eu em algum lugar onde não percebo,
em algum rincão sem luzes,
que me faz perceber que o real
são toques de seda,
fugaz como o canto de um pássaro,
sem belezas ou declínios
de uma alma inconstante,
de beleza inigualável,
porém não perceptível.
Se um único desejo se fizesse perceber
em um mar de imprevisíveis
sentimentos e emoções,
estaria eu então à deriva de um sentido,
recolhendo dores surdas,
sem que nunca se dissesse
do prazer de ser quem sou.
Desabrocha, então, a vida
de um triste peregrino,
sem constantes morticínios,
sem estrelas nem perigos,
aos quais deva enfrentar,
sob a luz da primavera,
sob o frio solitário,
com os pés já calejados
de uma busca interminável
por sentido a sentir,
revelado, assim, a si,
desvelado sem saber
o que vai acontecer,
o que quer em si nascer.
domingo, 27 de março de 2011
Confissão
Eu nunca quis precisar de alguém.
Nunca fiz por onde ter alguém.
Eu nunca quis desejar alguém.
Eu nunca li o olhar de alguém.
A lida eu li num olhar aquém
dos desejos meus,
que não tinham ninguém.
E a roda viva, viva está.
Ainda há tempo de recomeçar.
Na meia estrada do sentir de alguém,
no parapeito, sem nenhum vintém,
reconsiderei o que nunca fiz,
e quis ter alguém.
Nunca fiz por onde ter alguém.
Eu nunca quis desejar alguém.
Eu nunca li o olhar de alguém.
A lida eu li num olhar aquém
dos desejos meus,
que não tinham ninguém.
E a roda viva, viva está.
Ainda há tempo de recomeçar.
Na meia estrada do sentir de alguém,
no parapeito, sem nenhum vintém,
reconsiderei o que nunca fiz,
e quis ter alguém.
And as we walk...
A flower...
I saw a flower.
A tiny blossom,
a dazzling piece,
a single bit
of endless life.
A tower...
I saw a tower.
A man's deed,
a huge sign,
mind-boggling as it seems,
twisting minds of power.
A man had walked a long way.
Ahead he went,
apart from all, from all...
And as he walked
he trod on it.
What?!
The tiny blossom,
stubborn life
in city strife,
right in front the mighty tower.
He looked aslank
as if to check
if all the world was still around him.
No time to waste,
no time to think
of petty crimes.
Smashed petals
just make the way
a little lighter...
I saw a flower.
A tiny blossom,
a dazzling piece,
a single bit
of endless life.
A tower...
I saw a tower.
A man's deed,
a huge sign,
mind-boggling as it seems,
twisting minds of power.
A man had walked a long way.
Ahead he went,
apart from all, from all...
And as he walked
he trod on it.
What?!
The tiny blossom,
stubborn life
in city strife,
right in front the mighty tower.
He looked aslank
as if to check
if all the world was still around him.
No time to waste,
no time to think
of petty crimes.
Smashed petals
just make the way
a little lighter...
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