quarta-feira, 7 de novembro de 2012

SILÊNCIO...

O silêncio é como a água de um pequeno copo.
Não se move e está ali sem estar.
O silêncio parece não ter porque estar,
e está em todo lugar da vida minha.

Ah, silêncio que me toma e me faz cair,
cair em sono de criança, sem culpa nem pensar.
Só estou aqui sem pecar,
sem chorar por vingança frustrada.

Silêncio que odeio se me mostra quem não quero.
Silêncio que rodeio, com medo de entrar.
Silêncio espelho de minh'alma,
que me fala o que não cala da verdade que eu sou.

Fico à espera do silêncio,
já proscrito das ruas, como o pobre sem nome.
Fico à janela dos dias.
Namoro em silêncio o silêncio que me cala.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

IDEIA DIFUSA

Da conversa de tantos anos passados,
das palavras há tantos anos perdidas,
de pedaços há tantos e tantos atados
à vida passada de vindas e idas.

Da conversa do ouvido de alguém
que deságua na vida brotada
de sonhos de não ser ninguém,
dos olhos da história calada.

Do omisso sussurro, silêncio,
quietude obscura, revolta
qual mar da loucura, prenúncio,
anúncio do dia da volta.

Da conversa da porta entreaberta,
do incesto promíscuo da mente,
da beleza da pura e incerta
menina, entre outras, que sente.

Esvai-se em palavras difusas
a bruma da quieta manhã.
E estamos sem nunca chegarmos
em colóquios de vida pagã.