Tente-me a não estar em um só lugar desta vez.
Faça-me deixar pra lá um mundo no qual não deixo de pensar.
Esteja onde estive e me diga que não foi em vão.
Tente-me a não chorar mais pelo que você fez.
Vire-me e deixe-me ao léu até que eu me aqueça de novo.
Torne-me alguém sem manchas de passado a frio.
Deixe-me estar na sala onde estive irrequieto um dia.
Valha-me, proteja-me, como se nunca fora abandonado.
Conte os segundos da ausência do silêncio
e conforte-me assim que eu chegar do mar revolto.
Fique onde está, estando, assim, onde eu quis.
Não faça nada das coisas que eu fiz.
Chegue de perto, sem soar o sino.
Cerque-me de luz, dando a mim o meu presente.
Venha inquieto por membranas microscópicas.
Toque-me de um jeito que, sem jeito, eu vou gostar.
Vá para além do mistério do ocaso.
Dê do que tem sem jamais querer tomar.
E faça mágica que brilha no olhar.
Coisa fácil de lembrar.
Este blog tem como objetivo a expressão do que sou por meio de meus poemas e de minhas reflexões como artista e psicólogo. Espero que as palavras de meus textos colaborem para o aprimoramento irrequieto e contínuo de todos nós, e que avancem para além deste espaço virtual.
domingo, 29 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
MOVING FORWARD
Shut, my soul!
Shut for all you see around you!
Shut for silence with nonsense,
for noises with rumours of lies,
for blessings with heartless devices!
Shut for all upcoming blossoms,
for dreams that bloom in my mind.
Shut for awkward sensations
of long forgotten cries!
Spare me some time on a day
when, alone, I'm forbidden to stay.
Give out petals of hope
which encounter the very soul
of lone prayers for mercy to come upon us.
Open this tiny heart of mine,
in shambles for years of hush,
entangled by miserable oaths;
nonetheless, still moving forward,
dazzling weak minds,
whose deeds do not gleam,
whose paths disappear in
sandy tracks of empty meanings.
Light up a way
where life is fulfilled
with sound, solid thrills
of joy and renewal.
Spare me some time
to recover from grief,
and remain relentlessly
eager to cherish the finest
demeanour, the noblest feats.
Shut for all you see around you!
Shut for silence with nonsense,
for noises with rumours of lies,
for blessings with heartless devices!
Shut for all upcoming blossoms,
for dreams that bloom in my mind.
Shut for awkward sensations
of long forgotten cries!
Spare me some time on a day
when, alone, I'm forbidden to stay.
Give out petals of hope
which encounter the very soul
of lone prayers for mercy to come upon us.
Open this tiny heart of mine,
in shambles for years of hush,
entangled by miserable oaths;
nonetheless, still moving forward,
dazzling weak minds,
whose deeds do not gleam,
whose paths disappear in
sandy tracks of empty meanings.
Light up a way
where life is fulfilled
with sound, solid thrills
of joy and renewal.
Spare me some time
to recover from grief,
and remain relentlessly
eager to cherish the finest
demeanour, the noblest feats.
terça-feira, 3 de maio de 2011
SENTIDOS SURDOS
Se eu tivesse um único sentido
e deste não viesse nada,
a não ser a sombra do que está aqui, agora,
estaria eu em algum lugar onde não percebo,
em algum rincão sem luzes,
que me faz perceber que o real
são toques de seda,
fugaz como o canto de um pássaro,
sem belezas ou declínios
de uma alma inconstante,
de beleza inigualável,
porém não perceptível.
Se um único desejo se fizesse perceber
em um mar de imprevisíveis
sentimentos e emoções,
estaria eu então à deriva de um sentido,
recolhendo dores surdas,
sem que nunca se dissesse
do prazer de ser quem sou.
Desabrocha, então, a vida
de um triste peregrino,
sem constantes morticínios,
sem estrelas nem perigos,
aos quais deva enfrentar,
sob a luz da primavera,
sob o frio solitário,
com os pés já calejados
de uma busca interminável
por sentido a sentir,
revelado, assim, a si,
desvelado sem saber
o que vai acontecer,
o que quer em si nascer.
e deste não viesse nada,
a não ser a sombra do que está aqui, agora,
estaria eu em algum lugar onde não percebo,
em algum rincão sem luzes,
que me faz perceber que o real
são toques de seda,
fugaz como o canto de um pássaro,
sem belezas ou declínios
de uma alma inconstante,
de beleza inigualável,
porém não perceptível.
Se um único desejo se fizesse perceber
em um mar de imprevisíveis
sentimentos e emoções,
estaria eu então à deriva de um sentido,
recolhendo dores surdas,
sem que nunca se dissesse
do prazer de ser quem sou.
Desabrocha, então, a vida
de um triste peregrino,
sem constantes morticínios,
sem estrelas nem perigos,
aos quais deva enfrentar,
sob a luz da primavera,
sob o frio solitário,
com os pés já calejados
de uma busca interminável
por sentido a sentir,
revelado, assim, a si,
desvelado sem saber
o que vai acontecer,
o que quer em si nascer.
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